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Psicologia

Porque é que continuamos a escolher relações que nos ferem?

Sara Valadares
 Porque é que continuamos a escolher relações que nos ferem?

Não é falta de amor-próprio. Não é incapacidade de escolher melhor. E, na maioria das vezes, não é sequer uma escolha consciente.

É o sistema nervoso a reconhecer o que lhe é familiar. Mesmo quando o familiar dói.

Para muitas pessoas, o vínculo foi aprendido em contextos de instabilidade, imprevisibilidade ou ausência emocional. O corpo aprendeu a confundir intensidade com ligação. Ansiedade com proximidade. Esforço com amor.

Por isso, sair destes padrões não é uma decisão simples. É um processo de reaprender segurança nas relações. E isso não se faz com culpa, faz-se com consciência, regulação e tempo.

Escolher diferente não começa apenas na mente, começa também no corpo.

Quando se consegue notar estas repetições sem se julgar, abre-se espaço para sentir de forma diferente, e eventualmente agir de forma diferente: mas sempre a partir de um lugar de cuidado consigo, e não de obrigação.